sexta-feira, 16 de maio de 2014

Cheguei até as nuvens, mas não sei como descer

Há algum tempo tenho sonhado que estou em um lugar muito, mas muito alto, porém instável. Pensa num banco com uma base pequena e pés maiores do que se possa imaginar. E em cima deste banco, outro do mesmo tamanho, e assim sucessivamente, formando uma única coluna. No sonho vou “escalando” as cadeiras sobrepostas – com cuidado, pois a cada minuto tudo pode desmoronar – em direção as nuvens. Três perguntas me veem no sonho:

1: como cheguei até a última cadeira empilhada.
2: como permanecerei aqui pois qualquer respiração feita sinto que as cadeiras se movem e se desestabilizam  e que por um triz tudo irá desabar.
3: como irei descer, pois já não me recordo como subi.

Quando eu escalei as cadeiras, não pensei nas consequências. Apenas agi. E agora tenho que lidar com a insegurança que atingiu o meu ser de que a qualquer momento tudo pode cair por terra. Estou nas nuvens e nessa hora olho para a o chão que está muito, mas muito distante, e as cadeiras se mexem como se eu estivesse em um slackline.

Lembro-me de quando tinha 17 anos e meu pai me levando para prestar a prova de vestibular. Reparando no meu nervosismo fala “Não tenha medo de escalar. Todo mundo pode cair, mas se cair, do chão não passa”.
Não entendo de sonhos mas se eu olhar a vida que estou levando hoje, uma grande mudança ocorreu e não estou na minha zona de conforto. Novamente me reinventei. Realizei um desejo adolescente vindo para a Australia, que parecia ser inalcançável e  “cheguei até a minha nuvem particular”.

Estou muito feliz por estar aqui mas me sentindo extremamente insegura, limitada e com nada palpável. Vivendo a vida na corda bamba e com um monte de dúvidas sobre o meu futuro, pois não sei o que será de mim nos próximos meses ou anos.


Mas esta é a graça da vida. E o meu exercício diário tem sido viver um dia de cada vez: “Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal”. (Mateus 6:34).

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Manly – sons e cheiros

Aqui vale um post para falar apenas dos sons e dos cheiros pois eu estou impressionada! Não sei se é a época, ou se é a Australia ou o bairro, mas andar nas ruas de Manly é uma experiência divina! Cada casa tem um jardim lindíssimo cheio de árvores e flores que exalam perfumes que nunca havia sentido recheado de pássaros de diversos tamanhos, cores e barulhos. Me surpreendi com o papagaio branco de crista lindíssimo e curioso, com outro periquito 7 cores gracioso e barulhento, por morcegos e por outros tantos enormes que quando pousam na árvore chegam até a pesar os galhos. Me surpreendi com os sons do amanhecer e entardecer. A frequência dos sons dos grilos, sapos, passarinhos é algo surreal. Para explicar, eu tive que mudar de lugar para conversar de tanto barulho que eles faziam. De repente pousaram do nada 2 dúzias de passarinhos que me deixaram quase surda! E eles nem se importaram que eu estava lá, pois afinal de contas, lá é a casa deles e não a minha.

25 diferenças das praias Australianas e Brasileiras

1. Tem piscina em todas as praias movimentadas, lava-pé, chuveiro, bebedouro, churrasqueiras públicas e banheiro com papel higiênico.

2. Não há cachorro andando solto. Nada contra cachorros, mas lugar de cachorro não é na praia. 

3. Não se encontra pilhas de lixo no final do dia como garrafas pet, latinhas de cerveja, copos plasticos, palitos de picolé, pitucas de cigarro e afins.

4. O gramado na beira da praia é muito bem cuidado e utilizado pelos australianos que fazem piquenique com vinho, queijo e afins.

5. Há alguns campings públicos com água, chuveiro e banheiro ecológico. Você pode acampar sem gastar um tostão ou no máximo pagar uma taxa mínima de administração. Os campistas levam suas placas solares, banheiros privados e outros equipamentos de camping que só aqui na Australia pude encontrar. 

6. Existe bastante motor home perto das praias, atividade extremamente insegura de se realizar no Brasil, infelizmente.

7. Não tem ninguém vendendo algo na beira da praia. 

8. Não tem esgoto na praia. Ele passa por um tratamento e depois de muita pressão e peneira para diminuir o tamanho e quantidade do lixo, o detrito é encapsulado em mini partículas levadas por tubos subterrâneos a uma grande distancia da praia, servindo de alimento para alguns peixes.

9. Não tem problema deixar celular, chave do carro, prancha e afins.

10. O frescobol é diferente. A raquete é de pano com uma bolinha pequena que não faz barulho como uma raquete de madeira. A velocidade também é mais lenta que o nosso frescobol.
Não tem futebol nas praias australianas e nem taco.

11. Os australianos não correm e andam na areia como os brasileiros. Até tem um ou outro, mas nada que se compare ao tráfego de pedestres caminhando nas praias brasileiras.

12. Os australianos madrugam para nadar na água congelante sem roupa especial. É impressionante a quantidade de australiano nas piscinas construídas ao lado da praia entre 6h30 e 7h30 todos os dias, faça chuva ou faça sol.

13. No costão de pedra entre uma praia e outra há boias salva-vidas em diversos pontos e placas sinalizando a direção e qual distancia as boias estão caso precisar.  

14.Não há tanta diversidade de animais a olho nu na areia ou nas pedras como no Brasil. Isso significa menos siri, barata do mar, conchas, tatuíras, pepinos do mar e afins.

15. Os mais venenosos e mortíferos animas do planeta se encontram nas praias australianas como o polvo de anéis azuis (o veneno mata uma pessoa em 30 minutos e não tem antídoto), o peixe pedra (peixe mais venenoso do mundo), vespa do mar - água viva (o corpo é do tamanho de uma bola de basquete, mas os tentáculos podem chegar até 5m, e carrega veneno para matar até 60 homens), tubarões e outros mais.

16. Os peixes são mais coloridos que no Brasil.

17. Crianças pequenas não usam biquínis/sungas, mas uma roupa de lycra que cobre praticamente o corpo inteiro.

18. Não existe gente andando de biquíni na orla ou nas ruas próximas a praia como no Brasil. O único lugar que se usa roupa de banho é na areia.

19. As pessoas trocam de roupa embrulhadas em uma toalha/roupão. Não se volta para casa com roupa molhada.

20. Não se vê guarda-sol nas praias como no Brasil, apesar da taxa de câncer ser altíssima.

21. As mulheres usam biquíni cobrindo o bumbum por inteiro e fazem topless como na Europa.

22. As mulheres não são devoradas pelos olhares dos homens que no Brasil são vistas como objeto sexual.

23. Não se ouve pagode e nenhum outro som que não seja as ondas do mar na beira da praia.

24. Os brasileiros amam as praias australianas e geralmente escolhem estes lugares para morar, como é o meu caso, por exemplo.

25. Dizem que os australianos não fazem xixi no mar, mas sobre este fato, não há como descobrir a verdade :)

sábado, 12 de abril de 2014

Primeiro mês na Australia

Um pouco sobre saudades, escola, trabalho, amizades, brasileiros, turismo, moradia, locomoção e a praia.

Já faz um mês que estou na Australia e passei por muitos sentimentos neste curto período. O maior é o psicológico da distância que potencializa os sentimentos.

Parece que a saudade fica maior. A frequência que visitava minha família era mensal, mas este mês aqui parece que foi muito maior só pela distancia. Chego a sonhar com minha família, amigos, sobrinha... Esta parte é a que todos reclamam e faz com que a grande maioria volte para o Brasil.

Sobre a escola, agora já não quero mais matar o professor, mas apenas quebrar a perna dele. Brincadeiras a parte, já passou a fase do estranhamento e as coisas estão se encaixando. Não chorei mais na classe e parei de olhar com a cara feia para o professor. Teve um dia que precisava levar comida e música de seu país e eu toquei Carinhoso na flauta e não é que eu fiz as pazes com o professor? Ele até pediu para eu tocar depois para a turma que estava se formando.  Nada que a música não se incuba de resolver J.

Quanto ao trabalho, e cada dia tem sido desafiador e um pouco melhor. No início entendia apenas 30% do que era dito no escritório. Agora já entendo 40%! Hehehe. Ainda sinto frio na barriga e o trabalho mais difícil que eu tenho que realizar não é fechar contratos, negociar mídia ou analisar propostas, fazer invoices e organizar documentos, mas é simplesmente atender cliente no telefone! Eu quero morrer quando preciso ajudar a telefonista nos minutos de pico a agendar shuttle do hotel para o aeroporto. É muito difícil entender o sotaque de cada um e para mim este é o ponto que quero desenvolver nesta empresa: atender telefone! Simples quanto isso. Cheguei inclusive a perder uma cliente que desligou o telefone na minha cara pois eu não entendia o que ela falava! Um desastre para mim e para a companhia.
Outro dia o dono da empresa pediu que não falasse mais ao telefone e gritou: “You need to improve your English! You need to improve your English!!!” Mas o gerente me requisita e eu faço mesmo assim só de vez em quando, pois eu quero “improve my English”.

Quanto as amizades... é muito difícil não conviver com brasileiro. O conselho de praticamente 100% das pessoas é: não fique com brasileiros, mas eu digo para atirar a primeira pedra quem consegue esta proeza. Eu encontro brasileiros na praia, na dança, no bairro, no supermercado, na escola, nos cursos de trabalho, lojas, em tudo quanto é lugar, e a gente se reconhece. O que tenho feito é buscar inserir amigos australianos, europeus, asiáticos no meu convívio para que a conversa obrigue a ser em inglês. Algo que também tenho feito é falar em inglês com brasileiros, mas não é sempre e exige muita disciplina.

Sobre turismo, minha expectativa quando cheguei aqui era conhecer este pedaço por inteiro mas se passou um mês e só consegui conhecer o meu quadrado e este já está bem difícil explorar pois agora só tenho o final de semana e este também é bastante corrido.  Mas estou com uma pulga enorme de curiosidade para desbravar este país.

Falando sobre a moradia, dei sorte em encontrar algo bacana logo de cara. Normalmente as pessoas se mudam bastante no início.  Divido o apartamento com mais 5 pessoas (sim, brasileiros!) e temos escala para tudo. Por mais que esteja trabalhando e estudando longe, estou adorando morar em Manly. É um privilégio estar do lado do paraíso.

Quanto a locomoção, para mim está sendo um pouco desgastante pois chego a gastar quase 4 horas por dia me locomovendo da minha casa para a escola e trabalho. Isso quando não resolvo ir para outro lugar depois do trabalho. Mas fazendo o balanço, ainda compensa morar no paraíso e para minimizar o tempo de locomoção, tenho aproveitado para ler, estudar inglês, falar ao telefone, ler e-mails e acessar rede social.  

Agora falando do paraíso na terra, procuro sempre dar uma passada de manhã e a tarde para correr, caminhar, fazer exercício ou nadar. Comprei uma máscara e um snorkel e tenho visto coisas incríveis em Sherly Beach: peixe branco, transparente, garoupa maior que 30 cm, corais, plantas, etc. É um mundo a parte e com um eco-sistema totalmente desconhecido por mim. Meu espírito de Felícia de apertar e tocar em tudo o que eu vejo fica contido pois afinal de contas não esqueço que estou no lugar com os bichos mais perigosos do planeta e até um peixe (stone fish) ou um coral podem ser fatal.
Também tenho me provocado a entrar na água, mesmo ela sendo congelante para o meu gosto. Se todo mundo entra aqui com a maior naturalidade, porque é que eu não irei entrar??? Neste quesito eu nem penso muito para não desistir e fico na água o quanto aguento.


E o balanço deste primeiro mês é que se eu tivesse que voltar hoje para o Brasil, já terá valido a pena. E o que vier a mais é puro lucro. Que venham os próximos meses...

sábado, 22 de março de 2014

Como eu consegui trabalho na Australia

O trabalho estava ao meu lado no vôo para a Australia mas não pude enxergar.

Cheguei aqui num domingo a noite e no outro dia de manhã já estava na agencia de turismo perguntando como poderia fazer para encontrar um trabalho, quais eram as opções e o que se adequava melhor ao meu perfil (aqui estou falando de trabalho físico normalmente realizados por estrangeiros, como cleanner, waitress, counterhands, barista, kitchen hand, driver, nanny).

Para cada trabalho existe alguma certificação e como eu tinha focado em waitress e nanny, fiz os cursos de RSA e First Aid na primeira semana.

Mas o trabalho que Deus me deu já no terceiro dia através de uma indicação foi o de removal, ou seja, empacotar caixas para mudança e carregá-las até a garagem. Também estavam inclusos no trabalho lavar o carro, caixas, mesa e cadeira que estava no jardim. Posso dizer que foi uma bela sessão de ginástica com direito a agachamento, bíceps, tríceps e afins e voltei para a casa pingando. Mas o que eu não contava é que já de cara, na primeira semana, ganhei um monte de coisas que estava precisando comprar e outras que inclusive tinha acabado de dar no Brasil, panela, roupa de cama, louça, além de terra, potes para plantar. Foi tanta coisa que precisei de carona para a casa e ajuda para carregar a nova mudança! 

Nas duas semanas que havia chegado, conversei com muita gente para entender o mercado de trabalho, as experiências de cada um e ouvir conselhos. Fiz flyer, currículos de nanny e waitress, além de uns contatos com o Brasil para intermediar agências de publicidade aqui em Sydney. Enviei meu cv para algumas vagas, me cadastrei em sites de emprego, participei de workshop de nanny,  brinquei com crianças na rua e depois falei para os pais que estava a disposição para cuidar do filho delas, me ofereci para trabalhar um dia de graça para ter experiência, pedi trabalho para todo mundo que conhecia na Australia, li jornal, incluí meu email em newsletter de vagas. Teve um cara que me ligou e eu não consegui falar nada ao telefone - ele disse que não era hábil para a posição pois precisava do inglês. Acho que praticamente todos os dias devo ter feito algum movimento para encontrar uma forma de me manter na Aussie, como o povo fala.

E eu tinha esquecido que o trabalho estava ao meu lado no vôo para a Australia...

A segunda semana estava terminando e lembrei do senhor que sentou ao ao meu lado no avião. Ele estava com sua esposa e me perguntou várias coisas, como por exemplo, o que tinha feito eu vir para a Australia, porque eu escolhi a Australia, porque Sydney, onde iria morar, porque escolhi Manly, o que eu fazia no Brasil, quais tipos de clientes eu atendia, qual a minha rotina de trabalho, etc. Meu sentimento era que eu estava sendo entrevistada por mim! As perguntas não sessavam nunca!  Mas por outro lado eu estava treinando o meu inglês e a imersão com a língua tinha acabado de começar ali dentro do avião. Quando pousamos, ele deixou seu cartão e pediu para eu ligar na segunda semana e conversar sobre trabalho. E eu havia esquecido! Estava pensando em trabalhos que exigem grande força física quando Deus tinha separado outra coisa que pela minha mente limitada ou pela baixa auto-estima de chegar num lugar desconhecido e não entender o sotaque tinha me sucumbido. E de repente eu havia perdido o foco do que eu sabia fazer, pois afinal de contas, quem iria me contratar se nem no telefone eu conseguia falar!

Bem, apenas para “ticar” mais um item da minha lista de “find a job”, liguei para o senhor que pediu para eu ir em seu escritório. Depois da aula de inglês compareci mas ele não estava lá. Voltei com raiva para a City pois queria participar de um workshop que ensinava a carregar pratos para a vaga de waitress. No caminho ele me ligou e falou para encontrar ele na City. Ainda pensei: “-caramba, fui até lá para falar com ele e justamente agora que irá começar o workshop ele quer falar comigo? Que perda de tempo!” Enfim... eu fui falar com ele.

O senhor fez mais um tantão de perguntas e para a minha grande surpresa, ele pediu para que eu começasse no outro dia a trabalhar com ele na área de marketing, em um período de experiência. 

Quando saí da entrevista eram 4 horas da tarde em Sydney e 3 horas da manhã no Brasil (14 horas de diferença)! Eu queria ligar para todo mundo do Brasil para contar esta felicidade mas todos estavam dormindo!!! Nesta hora o fuso pesa e não posso falar com quem eu quero na hora que eu quero!  Preciso me programar para falar com a família e amigos e alguém precisa abnegar para ficar até tarde ou acordar de madrugada. Passei a tarde com isso entalado e fui na agencia para contar para alguém, pois eu mesma não estava acreditando!

Estou feliz mas confesso que também estou um com medo danado ao mesmo tempo de não ser capaz de realizar alguma tarefa por conta da língua. Mas o medo é algo que me move e faz ser dependente de Deus.

Posso dizer com todas as letras que não fui responsável por sentar ao lado do diretor da empresa e de ele estar precisando de alguém na área de marketing e em 2 semanas já ter encontrado um trabalho na área.. O trabalho não só bateu a minha porta como caiu do céu enquanto estava no avião. Não é um mérito meu e sim do Pai que tem olhado por mim desde o dia que nasci. E o que Ele dá é perfeito e sempre muito mais do que imaginamos ou merecemos.

Então, não fui eu que consegui o trabalho na Australia, mas Deus, o pai amoroso que a todos atende, providenciou em meu lugar.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Hoje eu Chorei

Hoje eu chorei. De raiva, e muita. Entrei na sala de aula toda orgulhosa por ter feito o teste de inglês e ser selecionada para a turma do Upper Intermediate, mas quando o professor começou a misturar todas as conjugações do passado ao mesmo tempo (past simple, past continuous, past perfect simple e past perfect continuous) comecei até a esquecer o que era a conjugação mais básica e travei. Errei todos os exercícios passados em sala. Quanto mais ele falava mais confusa a minha mente ficava e de repente parecia que ele tinha mudado de língua e estava falando Tailandês! Simplesmente meu cérebro deu PT.

A única coisa que passava pela minha mente era sair correndo, chorando e gritando bem alto por toda a Sydney e arrancar os fios de cabelo que restam nesta careca. E o mínimo que consegui fazer para conter todo esse impulso animal que nem sabia de onde estava vindo foi abaixar a cabeça e deixar uma lágrima escorrer pelo meu rosto e cair sobre o livro.

Esta lágrima foi o símbolo do quão difícil poderia ser esta experiência aqui na Australia e que a onda estava só levantando a crista.

A lágrima me mostrou o quanto sou frágil apesar dos 35 anos na cara e não conseguir controlar um sentimento de raiva.

A lágrima me lembrou quantas vezes já chorei por não compreender o que estava sendo explicado numa aula de flauta, harmonia, matemática ou outra qualquer.

Mostrou o quanto estou suscetível ao sentimento de me sentir impotente, pois lá no âmago da minha alma corrupta, eu quero a potência de viver o ideal que não existe, a perfeição divina almejada inclusive pelo mais terrível dos seres.

Mostrou que aqui em Manly não são tudo flores e cores, mas que terei que enfrentar dificuldades como qualquer outra pessoa e não é porque eu tenha esperança que tudo dará certo que realmente as coisas darão certo, pois eu realmente não tenho como prever o meu futuro.

Mostrou que muita gente ao meu redor pode estar passando por algum momento muito pior e precisando de um ombro amigo.

Mostrou que apesar de eu não ter o domínio sobre as coisas e saber que um Ser maior rege todo o universo, eu possa ser negligente e cruzar os meus braços esperando o milagre cair do céu. E que talvez eu tenha que parar de tirar foto no Ferry e estudar nos 30 minutos de ida e vinda para a City, pois isso poderá me ajudar a transformar o Tailandês no Inglês.

Mostrou que preciso depender mais deste Ser superior que tudo vê, pois só Ele irá me acalmar e trazer o conforto que minha alma precisa. Mostrou que uma lágrima é apenas uma lágrima e não se compara com aquele mar imenso que atravesso todos os dias.

Mostrou que o mesmo Deus que acalmou a tempestade enquanto Jesus estava no barco com seus discípulos, é o Deus que enxugará esta pequena gota e dirá para eu mergulhar nesta grande onda dizendo “Vai que estou aqui pertinho”. 

sexta-feira, 14 de março de 2014

Australia – trabalho na área, subemprego ou hobby

Cheguei esta semana e muitas dúvidas surgiram, como por exemplo, se eu irei encontrar trabalho na área, se conseguirei viver de hobby (tocando flauta) ou se serei mais uma aqui que trabalhará em subemprego para viver. Refletindo sobre tudo isso em um curto espaço de tempo, a conclusão mais óbvia foi a seguinte: se eu quero ficar 1 ano aqui, preciso me sustentar. E trabalhar nunca é desmérito, independende do que esteja fazendo.

Corri atrás de diversas maneiras para entender quais são os principais trabalhos, quanto se paga e o que eu preciso para arranjar emprego. Também descobri que existem mais empregos na parte da manhã do que a tarde e que cada part time dá para focar em um tipo de trabalho. Como por exemplo, de manhã é mais comum emprego de barista e cleaner. E a tarde, de nanny e waitress. A primeira decisão que tive que tomar é que tipo de emprego iria focar no início e qual part time iria estudar e trabalhar.

O período que rendo mais é de manhã, logo, estas primeiras horas quero fazer algo por mim e não para os outros. Por isso decidi que o estudo será  matutino.

E o emprego que focarei a princípio será de nanny, bares, e em paralelo tentarei sempre algo na área ou do meu hobby (tocar flauta).

Mas também descobri que para tocar na rua, por exemplo, preciso de uma licença do governo. Não posso sair tocando por aí pois sou capaz de ganhar uma multa. Para ser nanny, preciso do curso de Primeiros Socorros (First Aid) e para trabalhar em restaurantes ou em bares, é necessário ter a carteira de RSA. E se eu quiser encontrar trabalho na minha área com publicidade, preciso de um sponsor.

Então, esta semana aproveitei que ainda não estou estudando inglês e fiz o curso de RSA e First Aid. Já que aqui tudo funciona por indicação, não gostaria de perder oportunidades pelo fato de não ter a certificação. Estudei um monte, tive que ler uma apostila de 100 páginas, foi muito difícil entender o que o professor falava, mas no final deu tudo certo e já estou certificada!

Também fui muito agraciada e consegui um trabalho de mudança. Passei algumas horas ajudando a desmontar a casa e foi uma experiência interessante. Como sou de uma região com muitas enchentes, tive que muitas vezes tirar e guardar. Em SP também cheguei a fazer 5 mudanças! No final acho que já estou apta a ajudar a fazer mudanças e ganhar por isso J

E o trabalho foi ótimo! Sem querer acabei ganhando várias panelas, travessas, eletrônico que já estão sendo usados na casa em que estou morando, e que por si só já pagariam o trabalho, e também muita roupa lindíssima! Engraçado que até 1 semana atrás eu que estava doando as minhas coisas em SP! 

Quanto ao trabalho na área através de um sponsor, ouvi de algumas pessoas que não é a melhor coisa do mundo. Se você encontrar alguma empresa que queira te sponsorar, significa que o patrão pode querer explorar você, já que você não pode trabalhar durante 2 anos para outra empresa e ele sabe que você está aqui por causa de um visto dele.


Enfim, preciso trabalhar com as ferramentas que tenho no momento e posso dizer que a minha primeira experiência de trabalho foi excelente! Conheci novas pessoas, fiz fitness, ganhei roupas e utensílios domésticos, e o melhor, recebi por isso. Quero mais? Sempre! Hahaha.