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terça-feira, 22 de julho de 2014

Morar com brasileiros ou gringos, eis a questão.

Por causa de nossas conexões brasileiras, quando cheguei em Sydney fui morar em uma casa com mais outras 5 brasileiras em Manly em um quarto que era quase privativo. Tudo era incrível: a casa limpa e organizada, o quarto enorme, uma flatroom divertidíssima, a localização, a praia, o ferry, etc, mas o tempo foi passando e comecei a me incomodar pela quantidade de tempo perdido em trânsito e por não falar inglês como gostaria, e o incrível lugar dos sonhos me conectava diariamente com a cultura do meu país que não era a razão de eu estar aqui na Australia, por certo. Algo precisava ser feito urgentemente.

Após 4 meses busquei um apartamento no coração de Sydney com 7 estrangeiras, sendo cada uma de uma parte do mundo: França, Inglaterra, Taiwan, Japão, Korea, China e Burma (minha ignorância é tão grande que nem sabia o que era Burma – para quem também não conhece, Burma é um país localizado abaixo da China, #ficadica ;).

Além da multiculturalidade da casa, a localização não poderia ser melhor. Moro a 15 minutos a pé da vida. Vida entende-se todos os lugares que costumo frequentar durante a minha semana em Sydney, então novamente estou tendo um tempo que estava perdido em algum canto do meu pequeno paraíso em Manly.

Entretanto todos os ganhos tem as suas perdas. Além das outras 7 meninas, estou dividindo o apartamento com outras trocentas baratas que não pagam aluguel. Meu primeiro desafio é como irei administrar um lugar extremamente sujo sem dar a impressão que sou a housekeeper do momento e causar grandes confrontos culturais porque pelo jeito a única pessoa que está incomodada aqui sou eu.

O apego também continua sendo algo que me incomoda um bocado. Todas as 7 meninas conseguem viver com uma mochila e a brasileira tem uma vida inteira para carregar nas costas com muito mais do que 4 malas, necessitando de praticamente uma mansão. Sinto-me envergonhada com a quantidade de coisas que trouxe para cá e que coletei neste curto espaço de 4 meses. Vim do Brasil com 2 malas até a tampa e tripliquei a quantidade neste ridículo período. Não tinha como não perceber as meninas chocadas com as bolsas e malas que chegavam e todas perguntando por que eu tinha tantas coisas. Que vergonha que deu de minha pessoa, meu Deus do céu.  E novamente comecei o processo de desapego que é a parte que quero morrer, doando roupas, sapatos, edredons, roupa de cama para as meninas fazendo "a boa ação para mim" e diminuir a imagem negativa que tinha acabado de causar. 

Bem... nunca em minha vida imaginei sair do meu conforto e viver onde estou vivendo, mas não trocaria por nada esta experiência que estou começando esta semana. É aqui neste apartamento que escolhi viver as próximas mudanças em minha vida, onde não incluem apenas o foco no inglês, mas o confronto com os meus defeitos, imersão em diversas culturas, paciência, flexibilidade, desapego e tolerância. Se eu vou conseguir ainda não sei, mas novamente estou disposta a tentar. 

E que morram as baratas. 

sexta-feira, 25 de abril de 2014

Manly – sons e cheiros

Aqui vale um post para falar apenas dos sons e dos cheiros pois eu estou impressionada! Não sei se é a época, ou se é a Australia ou o bairro, mas andar nas ruas de Manly é uma experiência divina! Cada casa tem um jardim lindíssimo cheio de árvores e flores que exalam perfumes que nunca havia sentido recheado de pássaros de diversos tamanhos, cores e barulhos. Me surpreendi com o papagaio branco de crista lindíssimo e curioso, com outro periquito 7 cores gracioso e barulhento, por morcegos e por outros tantos enormes que quando pousam na árvore chegam até a pesar os galhos. Me surpreendi com os sons do amanhecer e entardecer. A frequência dos sons dos grilos, sapos, passarinhos é algo surreal. Para explicar, eu tive que mudar de lugar para conversar de tanto barulho que eles faziam. De repente pousaram do nada 2 dúzias de passarinhos que me deixaram quase surda! E eles nem se importaram que eu estava lá, pois afinal de contas, lá é a casa deles e não a minha.

sábado, 12 de abril de 2014

Primeiro mês na Australia

Um pouco sobre saudades, escola, trabalho, amizades, brasileiros, turismo, moradia, locomoção e a praia.

Já faz um mês que estou na Australia e passei por muitos sentimentos neste curto período. O maior é o psicológico da distância que potencializa os sentimentos.

Parece que a saudade fica maior. A frequência que visitava minha família era mensal, mas este mês aqui parece que foi muito maior só pela distancia. Chego a sonhar com minha família, amigos, sobrinha... Esta parte é a que todos reclamam e faz com que a grande maioria volte para o Brasil.

Sobre a escola, agora já não quero mais matar o professor, mas apenas quebrar a perna dele. Brincadeiras a parte, já passou a fase do estranhamento e as coisas estão se encaixando. Não chorei mais na classe e parei de olhar com a cara feia para o professor. Teve um dia que precisava levar comida e música de seu país e eu toquei Carinhoso na flauta e não é que eu fiz as pazes com o professor? Ele até pediu para eu tocar depois para a turma que estava se formando.  Nada que a música não se incuba de resolver J.

Quanto ao trabalho, e cada dia tem sido desafiador e um pouco melhor. No início entendia apenas 30% do que era dito no escritório. Agora já entendo 40%! Hehehe. Ainda sinto frio na barriga e o trabalho mais difícil que eu tenho que realizar não é fechar contratos, negociar mídia ou analisar propostas, fazer invoices e organizar documentos, mas é simplesmente atender cliente no telefone! Eu quero morrer quando preciso ajudar a telefonista nos minutos de pico a agendar shuttle do hotel para o aeroporto. É muito difícil entender o sotaque de cada um e para mim este é o ponto que quero desenvolver nesta empresa: atender telefone! Simples quanto isso. Cheguei inclusive a perder uma cliente que desligou o telefone na minha cara pois eu não entendia o que ela falava! Um desastre para mim e para a companhia.
Outro dia o dono da empresa pediu que não falasse mais ao telefone e gritou: “You need to improve your English! You need to improve your English!!!” Mas o gerente me requisita e eu faço mesmo assim só de vez em quando, pois eu quero “improve my English”.

Quanto as amizades... é muito difícil não conviver com brasileiro. O conselho de praticamente 100% das pessoas é: não fique com brasileiros, mas eu digo para atirar a primeira pedra quem consegue esta proeza. Eu encontro brasileiros na praia, na dança, no bairro, no supermercado, na escola, nos cursos de trabalho, lojas, em tudo quanto é lugar, e a gente se reconhece. O que tenho feito é buscar inserir amigos australianos, europeus, asiáticos no meu convívio para que a conversa obrigue a ser em inglês. Algo que também tenho feito é falar em inglês com brasileiros, mas não é sempre e exige muita disciplina.

Sobre turismo, minha expectativa quando cheguei aqui era conhecer este pedaço por inteiro mas se passou um mês e só consegui conhecer o meu quadrado e este já está bem difícil explorar pois agora só tenho o final de semana e este também é bastante corrido.  Mas estou com uma pulga enorme de curiosidade para desbravar este país.

Falando sobre a moradia, dei sorte em encontrar algo bacana logo de cara. Normalmente as pessoas se mudam bastante no início.  Divido o apartamento com mais 5 pessoas (sim, brasileiros!) e temos escala para tudo. Por mais que esteja trabalhando e estudando longe, estou adorando morar em Manly. É um privilégio estar do lado do paraíso.

Quanto a locomoção, para mim está sendo um pouco desgastante pois chego a gastar quase 4 horas por dia me locomovendo da minha casa para a escola e trabalho. Isso quando não resolvo ir para outro lugar depois do trabalho. Mas fazendo o balanço, ainda compensa morar no paraíso e para minimizar o tempo de locomoção, tenho aproveitado para ler, estudar inglês, falar ao telefone, ler e-mails e acessar rede social.  

Agora falando do paraíso na terra, procuro sempre dar uma passada de manhã e a tarde para correr, caminhar, fazer exercício ou nadar. Comprei uma máscara e um snorkel e tenho visto coisas incríveis em Sherly Beach: peixe branco, transparente, garoupa maior que 30 cm, corais, plantas, etc. É um mundo a parte e com um eco-sistema totalmente desconhecido por mim. Meu espírito de Felícia de apertar e tocar em tudo o que eu vejo fica contido pois afinal de contas não esqueço que estou no lugar com os bichos mais perigosos do planeta e até um peixe (stone fish) ou um coral podem ser fatal.
Também tenho me provocado a entrar na água, mesmo ela sendo congelante para o meu gosto. Se todo mundo entra aqui com a maior naturalidade, porque é que eu não irei entrar??? Neste quesito eu nem penso muito para não desistir e fico na água o quanto aguento.


E o balanço deste primeiro mês é que se eu tivesse que voltar hoje para o Brasil, já terá valido a pena. E o que vier a mais é puro lucro. Que venham os próximos meses...

quarta-feira, 19 de março de 2014

Hoje eu Chorei

Hoje eu chorei. De raiva, e muita. Entrei na sala de aula toda orgulhosa por ter feito o teste de inglês e ser selecionada para a turma do Upper Intermediate, mas quando o professor começou a misturar todas as conjugações do passado ao mesmo tempo (past simple, past continuous, past perfect simple e past perfect continuous) comecei até a esquecer o que era a conjugação mais básica e travei. Errei todos os exercícios passados em sala. Quanto mais ele falava mais confusa a minha mente ficava e de repente parecia que ele tinha mudado de língua e estava falando Tailandês! Simplesmente meu cérebro deu PT.

A única coisa que passava pela minha mente era sair correndo, chorando e gritando bem alto por toda a Sydney e arrancar os fios de cabelo que restam nesta careca. E o mínimo que consegui fazer para conter todo esse impulso animal que nem sabia de onde estava vindo foi abaixar a cabeça e deixar uma lágrima escorrer pelo meu rosto e cair sobre o livro.

Esta lágrima foi o símbolo do quão difícil poderia ser esta experiência aqui na Australia e que a onda estava só levantando a crista.

A lágrima me mostrou o quanto sou frágil apesar dos 35 anos na cara e não conseguir controlar um sentimento de raiva.

A lágrima me lembrou quantas vezes já chorei por não compreender o que estava sendo explicado numa aula de flauta, harmonia, matemática ou outra qualquer.

Mostrou o quanto estou suscetível ao sentimento de me sentir impotente, pois lá no âmago da minha alma corrupta, eu quero a potência de viver o ideal que não existe, a perfeição divina almejada inclusive pelo mais terrível dos seres.

Mostrou que aqui em Manly não são tudo flores e cores, mas que terei que enfrentar dificuldades como qualquer outra pessoa e não é porque eu tenha esperança que tudo dará certo que realmente as coisas darão certo, pois eu realmente não tenho como prever o meu futuro.

Mostrou que muita gente ao meu redor pode estar passando por algum momento muito pior e precisando de um ombro amigo.

Mostrou que apesar de eu não ter o domínio sobre as coisas e saber que um Ser maior rege todo o universo, eu possa ser negligente e cruzar os meus braços esperando o milagre cair do céu. E que talvez eu tenha que parar de tirar foto no Ferry e estudar nos 30 minutos de ida e vinda para a City, pois isso poderá me ajudar a transformar o Tailandês no Inglês.

Mostrou que preciso depender mais deste Ser superior que tudo vê, pois só Ele irá me acalmar e trazer o conforto que minha alma precisa. Mostrou que uma lágrima é apenas uma lágrima e não se compara com aquele mar imenso que atravesso todos os dias.

Mostrou que o mesmo Deus que acalmou a tempestade enquanto Jesus estava no barco com seus discípulos, é o Deus que enxugará esta pequena gota e dirá para eu mergulhar nesta grande onda dizendo “Vai que estou aqui pertinho”. 

sexta-feira, 14 de março de 2014

Manly - Primeira Impressão


Jatlag: Depois de uma noite mal dormida com diferença de 14 horas, fui conhecer a agência de intercâmbio que havia fechado para ir a Australia. Chegando lá, senti dores abdominais incríveis e não me aguentava nem sentada. Deitei sem pestanejar na cozinha da agência e lá fiquei por quase meia hora. Melhorei após a espera e um chá de camomila.

Almocei com minha amiga de SP que está aqui desde dezembro e foi ótimo para um primeiro dia. Ela me deu excelentes dicas de como me virar com transporte, trabalho, etc e inclusive almoçamos num restaurante brasileiro “Brazuca”. Falando em brasileiros, é impressionante a quantidade de gente que vem para cá. Eu fazia a pergunta em inglês e a pessoa me respondia em português! Isso foi no ponto de ônibus, lojas,... Tive um dia de Brasil aqui praticamente!

Depois fizemos compra no supermercado mais em conta, Aldi, e fiquei assustada com o preço das coisas! Não tem nada baratinho aqui! O sabonete mais em conta, por exemplo custa 1 Dólar, ou seja, se converter a moeda e comparar com o Palmolive que eu usava, fica 5 vezes mais caro! O ovo custa AU$4 e assim por diante. Ok, mas preciso comer e me limpar, fazer o quê! Só de raiva fui para a praia!

A primeira que conheci foi a Manly Beach. Que praia mais linda desse mundo! Pensa num lugar cheio de surfista, com água bem clarinha, onde você consegue ver de longe se tem uma folha de árvore, com um sol de rachar, muito vento e água gelada. Era tudo o que eu queria para o meu primeiro dia! Fiquei impressionada com a limpeza e organização. Vi água potável em vários lugares, ducha, bicicletário, banheiro público, ciclovia, canteiro bem cuidado, piscinas para natação na praia, muita gente fitness fazendo exercícios, etc. Algo que também me chamou atenção é que aqui os homens não “comem” as mulheres com os olhos como acontece nas praias brasileiras ou em qualquer outro lugar na rua. Eles são extremamente respeitosos independente da vestimenta que está sendo utilizada, e aqui vi muitas australianas bem ousadas!

Na praia também não encontrei cachorro caminhando. Descobri um lago limpinho onde o povo leva seus cachorros para se banharem. Então, o local vira praticamente um encontro de cachorros! Cada um está no seu devido lugar nesta cidade. Vamos ver o que me aguarda para os próximos dias.